a morte de kevin douglas, um sinal para a conmenbol

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É realmente lamentável a morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, o garoto de 14 anos atingido pelo disparo de sinalizador de um integrante da torcida do Corinthians. Um jovem teve sua vida interrompida justamente em um local que deveria ser somente para diversão. O futebol ficou em segundo plano. Ele já foi enterrado em Cochabamba, Bolívia. Nada nem ninguém poderá trazer a vida de Kevin de volta. Porém, medidas devem ser tomadas. Aliás, mais do que medidas, uma nova ideologia, uma nova atitude em relação a organização do torneio deve existir. 

Punir a torcida do Corinthians é válido, mas não o suficiente. De nada vai adiantar se criminosos disfarçados de torcedores continuarem a entrar nos estádios, se sinalizadores forem permitidos em partidas de futebol, se a Conmebol continuar a fechar os olhos enquanto a tropa de choque proteje os jogadores de futebol dos objetos atirados em campo durante a cobrança de escanteio. A morte de Kevin não pode ser em vão. É preciso mudança, e é preciso agora. Os clubes e jogadores precisam entender que quem faz o futebol acontecer são eles, não a Conmebol, Federação Paulista ou CBF. São os clubes que devem organizar o futebol. Eles precisam se reunir e iniciar uma espécie de "tolerância zero" sobre a organização do torneio.
 

Em relação a torcida do Corinthians, seria hipocrisia, vinda de um palmeirense como eu, criticar e culpar como violenta a torcida corintiana. Todas as torcidas são violentas, as organizadas da grande maioria dos times do país se não são diretamente responsáveis pela violência nos estádios, são omissas e protegem os criminosos que as integram. Espero que este seja um marco zero para uma grande mudança na organização do futebol sul-americano. Para o bem de todos, inclusive do espetáculo, ofuscado neste episódio. Esta é a minha, a nossa esperança. Menos de Kevin.
- Infográfico: Sinalizador 4 (2013), de Arte Esporte
- Matheus Manoel de Souza Santos escreve aqui, quando não está cabe no "feice" ou "tuinto".

seleção de frases #094

"O líder pede para você pensar com ele, enquanto o chefe pede para você pensar por ele."
Julio Cesar Tuzibala (1981-HOJE), blogueiro brasileiro.

"Toda Nação tem um exército em seu território, o dela ou o de outra..."
Sun Tzu (544-456 a.C.), filósofo chinês.

malária, curta brasileiro, de edson oda


Alexandre Mendonça encomenda a morte da Morte, a própria. O encarregado, Fabiano Carreira, receberá 30 moedas de ouro e evitará o fim da pequena Carolina Mendonça, que sofre de malária... Ou não. Você tem que assistir para descobrir.

A estória lembra um pouco As Intermitências da Morte, de José Saramago, onde também se discute a dependência da morte para a manutenção do mundo. Mas é original e tem um desfecho diferente, até pela duração, é claro.

O curta Malária combina origami, kirigami, time-lapse, ilustração em nanquim, a estética dos quadrinhos e filmes de faroeste e foi produzido em 6 meses.  Antônio Moreno, que você já deve ter ouvido por , "dubla" a Morte com um vozeirão que lembra José Wilker. E todo o elenco é fantástico.

Avise os gringos, tem legendas em inglês e muito mais no canal de Edson Oda.

gente que vê conspiração em tudo

Às vezes, dá até dó do grupelho Illuminati. Já não bastasse o pessoal que não dobra o "l" ao se referir à eles, uma gentalha adora atribuir todas as mazelas do mundo aos caras. É um disparate achar que tudo é obra de um illuminatus.

Os seres humanos são falhos. Uns por ignorância, outros por indiferença. Não é preciso fazer parte de uma sociedade para cometer erros ou até mesmo ter planos maquiavélicos. Aliás, muitas vezes, não fazer parte de uma sociedade é o que motiva os humanos a praticar atrocidades.

Funciona como o fundamentalismo religioso, só que sem referências aos planos espirituais. Em vez de um religioso transtornado atribuir as mortandades aos castigos de Deus, um cara - muitas vezes ateu - estabelece uma conexão entre uma fatalidade à algo premeditado por uma sociedade secreta.

A ideia não é discutir se existe ou não uma Nova Ordem Mundial, mas entender como as pessoas conseguem estabelecer relações tão absurdas.
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Quatro dias após o incêndio na boate Kiss em Santa Maria, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, um tuiteiro disparou alguns posts, creditando a tragédia de Santa Maria à organização Illuminati, como reproduzi logo acima.

Não consegui achar o trecho em que ele cita o grupo, pois ele costuma excluir tuítes para evitar confusão, além de bloquear aqueles que não concordam com ele. Em contrapartida, adora retuitar os que concordam. Acho que na cabecinha dele, ele fica cheio de razão entre os seus 300 mil seguidores – ainda que menos de um terço entenda sua língua.

Vamos dar uma de E-farsas, que postou a respeito [aqui], e desmentir as baboseiras postadas na mais recente teoria da conspiração.

“Os seguranças da boate em Santa Maria fecharam TODAS as portas e não queriam abrir, se recusavam a abrir! Quem é que faz isso em um incêndio?”

seleção de frases #093

"O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade."
- Albert Einstein (1879-1955), físico alemão.

"Tenho uma consciência tranquila de tudo que já fiz até aqui. E somado a isso, uma péssima memória que me ajuda a mantê-la."
Marcelo Leite (1971-HOJE), blogueiro brasileiro.

telejornalismo e o incêndio na boate kiss

Fachada da boate gaúcha Kiss após incêndio. Foto: Germano Roratto/Agência RBS 
Liguei o televisor por volta das 13h00 e, praticamente, todas as tevês noticiavam o saldo de uma tragédia. Cerca de 360 pessoas foram vítimas de um incêndio na madrugada deste domingo, 27, na boate Kiss, clube noturno de Santa Maria, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Deste montante, mais de duzentas e trinta vítimas fatais.

Acompanhei por duas horas as últimas notícias, zapeando por cinco emissoras brasileiras de televisão. De certa maneira, eu presenciei a prestação de um serviço público em todas as redes, com o abandono de parte da programação, merchans e breaks comerciais para a cobertura das últimas ocorrências da tragédia.

De certa maneira, é claro, pois cada linha editorial impunha sua intenção na cobertura da fatalidade. Fatalidade, aliás, que eu mal saberia definir, apenas reconhecer.

Certa vez, eu ouvi de alguém que um acidente se faz com trinta mortes e vira tragédia se passar disso. Eu não penso assim, pois mal sei mensurar o valor de uma vida, que dirá centenas delas.

Entretanto, nem mesmo o jornalismo tem este poder de mensurar qualidades. Noticiar é contar uma história com o menor número de adjetivos possível. É necessário deixar o recurso da adjetivação para melodrama, docudrama e jornalismo opinativo.

O fatal é mesmo irreversível. O que muda é a frequência das fatalidades, o número de mortos, o número de feridos. É isto que deve averiguar o jornalista. O bom jornalismo, além de responder perguntas básicas do lead, deve apurar o que aconteceu antes e o que acontece durante o fato. Além disso, deve fazer a ligação entre as autoridades e o público. Mas muitas vezes, em vez disso ou somado a isso, há uma má exploração das imagens e dos relatos, resultando no sensacionalismo.

Durante o período em que acompanhei as notícias, tive uma grata surpresa. Foram poucas as investidas no sensacional. Ainda assim, elas aconteceram.

A Globo interrompeu sua programação durante o Esporte Espetacular, com um link direto de Santa Maria. Não lembro ao certo das informações passadas. O link era in loco e a repórter não foi acompanhada por nenhum GC. Entendi apenas que era uma tragédia. Os apresentadores fizeram comentários espontâneos e anunciaram a próxima atração, Os Caras de Pau, encerrando o programa.

Mudei para a RedeTV. O âncora conversava com um major ao telefone, atualizando as informações. Até então, todas as tevês passaram o número oficioso de 245 mortos, a RedeTV e o SBT foram os primeiros a corrigir a informação, com a nota oficial de 231 mortos. O restante dos canais insistiu em passar informação oficiosa como se fosse oficial, caso clínico de sensacionalismo.

palavra [tere penhabe]

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Sei que a imagem não ilustra o poema, mas foi o que o levantamento iconográfico permitiu.
Palavra
pluma ou adaga
que não se paga
com bem ou mal.
Nega ou confessa
amor ou ódio
do coração.
A alma usa
nunca recusa
ouvir de alguém.
Só chora triste
se não a tem
de mais ninguém.
Palavra
às vezes má
provoca dor
destrói o amor
depois se vai.
Nasce outra vez
feita de paz
se merecer
sempre primeira
pois não repete
a vida inteira
e mesmo assim
doce mistério:
é sempre a mesma!
- Ilustração: Type Face (2009), de Irene Shih
- Poema: Palavra (2004), de Tere Penhabe
- Tere Penhabe (1954-HOJE), poetisa brasileira.

seleção de tiras #004

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ENTENDENDO AS MULHERES - Igor Otoni
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CRIATURA INGRATA - Ricardo Coimbra